quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Sonata de Outono


"Às vezes, quando fico acordada à noite, me pergunto se realmente tenho vivido. Será que é assim, para todo mundo? Ou será que algumas pessoas têm mais talento para viver do que outras? Ou será que há pessoas que nunca vivem? Mas simplesmente existem? Então, o medo me pega e vejo um retrato horrível de mim mesma. Eu nunca amadureci. Meu rosto e meu corpo envelheceram, mas por dentro nunca nasci."

Fala de Charlotte (Ingrid Bergman) para sua filha Eva (Liv Ullmann) em HorstSonat, filme de Ingmar Bergman, 1978, Suécia

Esse filme me tocou como nenhum outro. Assisti três vezes e assistiria de novo. Essa fala em especial mexe comigo porque muitas vezes sinto o mesmo que a personagem de Ingrid Bergman. À noite, as coisas ficam mais claras e assim, consigo me enxergar. Tenho medo de pensar o que penso. É um misto de felicidade e angústia. Algo assustador, mas também revelador. Ser a Charlotte ( Ingrid Bergman) é difícil. Sentir, na idade dela, que por dentro não nasceu é devastador. Afinal, não existe mais tempo para mudanças. Na maior parte do tempo penso como a personagem. Não vivo, apenas existo. Isso é tão perigoso... Me faz ser egoísta e atropelar as pessoas que amo em busca das sensações do que eu acho que é viver. Engraçado... Como ela, fico curiosa em relação aos sentimentos dos outros. Afinal, todo mundo sente o mesmo? Ou estou tentando encontrar cúmplices para aplacar a minha solidão e a culpa que me acompanha sempre? Enfim, no filme encontro uma companheira, que deixou de fazer uma pergunta muito mais importante: O que é viver? Não sei. Só sei que não é ser feliz o tempo todo.

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